Como Administrar Melhor Seu Dinheiro – MAURO HALFELD

Maio 18, 2008 às 5:43 pm | Na categoria Resenhas literárias | 7 Comentários

Trecho do livro:

Capítulo 3: OS CUIDADOS AO COMPRAR IMÓVEIS


Certamente, você já ouviu esse conselho muitas vezes. Se você colocou-o em prática nas décadas de 50, 60, 70 ou 80, parabéns!
Provavelmente, você ficou contente com o retorno obtido. Mas, nos anos 90, a realidade começou a mudar…

“Meu filho, compre logo sua casa! Esse é o único investimento seguro!”
Conselho Popular

O Brasil, entre os anos 40 e 80, viveu uma enorme migração do campo para as cidades. A Figura 3.1 revela que, em 1940, 69% da população brasileira viviam na zona rural; em 1996, apenas 22% da população permaneciam no campo. Em decorrência, os imóveis urbanos assistiram a uma excelente
apreciação em seus valores. Além disso , comprar casas e terrenos foi uma importante defesa contra as altas taxas de inflação.
Esses imóveis saíram-se bem diante dos diversos planos de estabilização econômica que vivemos a partir de 1986: Cruzado, Bresser, Verão, etc. Juntem-se a isso os enormes subsídios oferecidos pelo Sistema Financeiro da Habitação nos anos 70 e 80. Todos os ingredientes estavam reunidos para um boom imobiliário.
Entretanto, os imóveis não conseguiram suportar as elevadas taxas de juros praticadas nos anos 90, principalmente após o Plano Real.
Investir em imóveis implica riscos Suponho que você não seja um profissional do mercado de imóveis que possa ficar garimpando oportunidades a cada instante. Nesse sentido, é importante alertá-lo
de que existem outros riscos embutidos no investimento imobiliário. A compra de um imóvel costuma ser muito estressante. Mas se esse bem constituir-se na maior parte de seu patrimônio, não poupe preocupações. Elas deverão ser recompensadas. A seguir, vamos discutir os principais riscos desse investimento.

Depreciação
Um apartamento de luxo, nos anos 70, tinha quatro dormitórios, uma suíte, dois banheiros e uma garagem. O azulejo da moda era da cor preta ou vermelha. Hoje, um apartamento, para o mesmo perfil de consumidor, tem quatro suítes, um lavabo, quatro garagens, playground, salão de festas, sala de ginástica, segurança, etc. Hoje os azulejos têm cor pastel ou são substituídos por mármore ou granito. Em outras palavras, existem “modismos” que o mercado chama de “tendências”. Eles podem representar
sérios riscos ao investidor em imóveis.
Um conjunto comercial no centro de São Paulo, nos anos 60, era uma garantia de renda de aluguel segura e de valorização constante. Hoje, existem lá centenas de conjuntos comerciais vazios. Infelizmente, no Brasil, ainda não nos conscientizamos da importância de se preservarem as áreas centrais das cidades, em cuja infra-estrutura o poder público já fez bilionários investimentos. Em São Paulo, a Avenida Paulista viveu seu esplendor nos anos 80, a Avenida Faria Lima, nos anos 90 e hoje as grandes empresas ambicionam instalar seus escritórios na Marginal Pinheiros. O poder público
continua investindo bilhões para construir o “novo” centro. O “velho” fica mais abandonado a cada dia.
No Rio de Janeiro não é diferente. Copacabana foi superada por Ipanema e Leblon e, hoje, a Barra da Tijuca é o destino dos grandes investimentos imobiliários.
Enfim, no Brasil, imóveis de 10 anos já são considerados antiquados. Há modismos quanto à planta, ao acabamento e às benfeitorias necessárias. Isso pode depreciar bastante um imóvel antigo. E se você comprar um imóvel novo, deverá arcar com a maior parte do impacto da depreciação.

Invasões em terrenos
Investir em grandes terrenos na periferia das cidades foi um ótimo negócio até a década de 90. As principais cidades brasileiras cresceram intensamente e esses investidores tiveram um maravilhoso retorno. Mas hoje, existem riscos de invasão dos terrenos.
As favelas, infelizmente, crescem em ritmo muito maior que o PIB brasileiro e as grandes cidades ficaram rodeadas por bolsões de miséria. Há riscos no investimento em terrenos na periferia.

Booms imobiliários
Nos anos 20, a Flórida vivenciou um grande boom imobiliário2. A população estava crescendo e havia uma escassez de habitações. Notícias de que investidores tinham dobrado ou até triplicado seu capital começaram a atrair mais especuladores.
Facilidades de crédito estimulavam ainda mais o processo de alta. Há casos de terrenos que custavam US$ 800 mil em 1923 e que foram vendidos por US$ 1,5 milhões em 1924 e por US$ 4 milhões em 1925. No topo do boom, havia 75.000 corretores de imóveis em Miami, ou seja 1/3 da população da cidade. Evidentemente, a festa terminou.
Em 1926, já não podiam ser encontrados novos compradores. Os especuladores se desesperaram e começaram a baixar os preços. Um colapso aconteceu.
No Japão, entre 1955 e 1990, o valor dos imóveis aumentou mais de 75 vezes3.
Em 1990, o valor de todas as propriedades era estimado em quase 20 trilhões de dólares, mais de duas vezes o valor de mercado de todas as ações em Bolsa no mundo. Os Estados Unidos são 25 vezes maiores do que o Japão, mas o conjunto de imóveis japoneses chegou a valer 5 vezes o conjunto total de imóveis americanos. Teoricamente, se alguém vendesse Tóquio inteira, poderia apurar quantia suficiente para comprar todos os imóveis dos Estados Unidos. Só o valor atribuído ao Palácio Imperial japonês era suficiente para comprar todos os imóveis da Califórnia. Em 1990, se você vendesse
todos os campos de golfe do Japão, teria condições de comprar a Austrália inteira. O que alimentou isso? A crença de que nunca se perde dinheiro com imóveis. E os que têm interesse em promover essa lenda são capazes de elaborar vários tipos de argumentos para sustentar os preços. Mas só por algum tempo. O colapso aconteceu em 1990, quando o Banco do Japão aumentou as taxas de juros para conter a inflação. A lei da gravidade de Isaac Newton voltou a funcionar no mercado de imóveis japonês.

Leis do Inquilinato
Desde a lei do inquilinato de 1942 os governos tentam intervir no mercado de locações residenciais.
Isso, aliado à gigantesca inflação, gerou aluguéis completamente defasados, desestimulando o investimento em imóveis residenciais para locação. Resultado: em poucos anos houve uma enorme escassez de imóveis para locação. Inquilinos com contratos antigos pagavam muito pouco. Quem precisava fazer um contrato novo de aluguel tinha que pagar muito caro.
Nos anos 90, o governo deu mais liberdade para as locações e a situação hoje já é bem mais equilibrada.

Juros altos em financiamentos de longo prazo
C A S O:
Fernanda acaba de devolver seu apartamento à construtora. Ela recebeu R$ 9.500,00, com os quais vai zerar o saldo devedor no cheque especial e pagar o crédito rotativo dos cartões. Entre prestações e amortizações, Fernanda pagou cerca de R$ 36.000,00. O saldo devedor do imóvel é de R$ 95.000,00, e o apartamento de dois dormitórios vale apenas R$ 60.000,00. A prestação do apartamento estava em R$ 820,00, faltando 14 anos para quitá-lo. Juros altos no longo prazo criam absurdos… Fernanda já alugou um apartamento semelhante, pagando R$ 430,00 mensais.
A diferença entre o aluguel e o valor da antiga prestação é de R$ 390,00. Fernanda pretende aplicar essa quantia em caderneta de poupança, que promete pagar 0,5% ao mês além da TR. Fernanda fez os cálculos financeiros e descobriu que, em nove anos e meio, teria dinheiro suficiente para pagar à vista o apartamento. Nada mau; se ela continuasse a pagar o financiamento com a construtora teria que pagar
isso por 14 anos. Que conta mais louca!

Armadilhas
A compra de um imóvel implica conhecer profundamente o Direito. A quantidade de leis no país é tão grande que a presença de um advogado de confiança para assessorar o comprador torna-se condição essencial. São inúmeros os casos de fraudes em negócios imobiliários.
Henrique, um experiente investidor no mercado de imóveis no Rio de Janeiro, disse-me certa vez: “Todos os dias saem de casa um esperto e um trouxa; e eles vão fechar um negócio”. Portanto, tenha muito cuidado para não fazer o papel do trouxa nesse enredo. Tecnicamente, pode-se dizer que existe uma grande assimetria (desigualdade) na relação entre o comprador e o vendedor de um imóvel. Enquanto o vendedor sabe tudo sobre o bem, o comprador tem que descobrir, em poucos dias, os possíveis defeitos do imóvel. Nem sempre consegue fazer um bom trabalho de investigação
a tempo e acaba se arrependendo depois do fechamento do negócio.
Apaixonar-se pelo imóvel Percebe-se ainda uma desvantagem psicológica no investimento em imóveis. A dor de se vender uma propriedade diante de uma necessidade é muito grande.

C A S O:
Pedro, um pai de família em Minas Gerais, aos 65 anos, precisando de dinheiro para uma cirurgia cardíaca em São Paulo, preferiu adiar o tratamento a vender um de seus imóveis.
Parece-me uma grande incoerência. Afinal o principal objetivo de se poupar é o de acumular recursos para custear a velhice. O apego ao imóvel torna-se tão grande, que é muito comum, na prática, que ele não seja vendido quando se enfrenta uma dificuldade de saúde, deixando-se de dar ao bem a chance de cumprir uma de suas possíveis missões.
No mesmo sentido, assistimos a inúmeros exemplos de famílias ricas, detentoras de muitas propriedades, que perdem tudo por conta de dívidas e de apego aos bens.
Empresas familiares viram-se em dificuldades para enfrentar as intensas mudanças da Economia brasileira na década de 90. Muitas preferiram endividar-se em bancos a vender seus imóveis. Visando preservar os anéis, acabaram perdendo os dedos. Foram engolidas pelos altos juros. E seus imóveis, tomados pelos credores.
Algumas empresas ficaram endividadas com o Fisco ou com bancos, e não conseguiam mais obter certidões negativas. Com isso, tinham enormes dificuldades em vender seus bens, que acabaram sendo perdidos, após a falência.

Imóveis na planta
Um flat em São Paulo está sendo anunciado por R$ 100 mil à vista. O prazo de entrega é de três anos. Se você aplicar tais recursos na caderneta de poupança é muito provável que consiga transformá-los em R$ 119 mil, além de uma compensação pela inflação. Durante a obra você não estará recebendo nada da construtora. Você não terá a renda de aluguéis, nem de juros sobre o capital. Além disso, terá que suportar o risco de a construtora não honrar os compromissos. Portanto, os imóveis na planta têm que
ter um substancial desconto em relação ao preço do imóvel já pronto. Em nosso exemplo, os 19 mil reais devem ser o desconto mínimo a ser oferecido pelo incorporador, em relação a um flat já pronto, no mesmo local.
Muito cuidado ao comprar imóveis na planta. No passado, muitas pessoas orgulharam-se de ter obtido ganhos vultosos nessas operações. Mas elas são de alto risco porque você ficará dependente da saúde financeira da construtora. E tem sido muito difícil administrar construtoras. Muitas empresas grandes e tradicionais quebraram nos anos 90, deixando milhares de clientes sem nada.
Além disso, você pode não ficar muito satisfeito com o produto final que receber.
Comprar um imóvel na planta é como comprar um sonho. Na hora de recebê-lo, talvez ele não seja tão bonito quanto você imaginou. Espere mais um pouco, poupe mais e tente comprar um imóvel pronto, à vista. Não se encante com uma tabela de preços financiada, oferecida pelo imóvel na planta. Nem pelo preço à vista mais barato.
Veja estas orientações do Ministério Público de Minas Gerais:
Incorporações Imobiliárias e Loteamentos — Alerta à Comunidade
Ministério Público de Minas Gerais — Curadoria de Defesa do Consumidor
Verifique se o incorporador ou vendedor já registrou a Incorporação em um dos Cartórios de Registro de Imóveis da Comarca conforme exigido pela Lei 4.591 de 16.12.64. Se não estiver registrado não faça negócio. Procure a Curadoria de Defesa do Consumidor ou o Procon.
O interessado na compra de qualquer imóvel deve, antes de realizar o negócio, procurar o Cartório de Registro de Imóveis da Comarca onde ele estiver matriculado, para saber se está livre de qualquer ônus, se não há hipoteca sobre ele e se pode ser alienado, para que não haja qualquer surpresa desagradável depois. Antes dessa providência não faça nada, nem mesmo dê qualquer sinal para garantir a compra.
Lembre-se de que, se você realizar um mau negócio, vai ser difícil encontrar uma solução, e, ainda que se encontre uma, nem sempre será aquela do seu interesse.
Na maioria das vezes, você poderá, no máximo, obter uma sentença condenando a empresa a lhe pagar uma indenização, o que pode ser um processo lento.

Despesas com o imóvel novo
Dalva, uma experiente corretora em Porto Alegre, indica que os melhores negócios com imóveis residenciais são aqueles feitos com unidades entre três e sete anos de vida.
Certamente, os primeiros proprietários já terão dispendido recursos nos acessórios do imóvel, tais como armários embutidos, decoração do condomínio, melhorias no acabamento oferecido pela construtora, etc. Ao comprar um apartamento com sete anos de uso, por exemplo, você ainda poderá desfrutar muito desse bem, sem pagar os elevados preços cobrados pelas construtoras, ao vender um imóvel “zero-quilômetro”.

Cuidado com as reformas
Muito cuidado ao comprar um apartamento antigo pensando em fazer uma grande reforma nele. Talvez você não consiga recuperar o valor investido na obra, caso o padrão do prédio não esteja no mesmo nível da reforma que você pretende implementar.
Além disso, se o prédio for antigo, ele certamente oferecerá poucas garagens, item crítico nas grandes cidades de hoje. É muito difícil vender um apartamento de bom padrão, com poucas garagens.

Apartamento nos primeiros andares

Procure obter um bom desconto ao comprar apartamentos nos primeiros andares.
Barulho, visão limitada e pouca segurança são fatores que impressionam negativamente os potenciais compradores. Lembre-se de que, quando você for vender esse apartamento, seu futuro comprador também exigirá um desconto de você.

Imóveis de lazer têm baixa liquidez
Imóveis na praia ou no campo podem ser um excelente lazer para a família, mas têm baixa liquidez e são muito sensíveis a crises econômicas. Na primeira recessão, os potenciais compradores desaparecem.
Alguns imóveis costumam dar duas alegrias: uma quando você compra e a outra, quando vende. Em outras palavras, evite comprar imóveis que têm baixa liquidez.

Condomínio
Procure saber sempre o valor das taxas de condomínio. Há poucos meses, Márcio encontrou um excelente apartamento em Curitiba. O prédio fica em um dos melhores bairros da cidade, dentro de um terreno exclusivo de mais de 10.000 metros quadrados, com piscina aquecida, quadra de tênis, manobristas, seguranças, etc. Valor do apartamento R$ 450.000,00; valor do condomínio R$ 2.000,00. Quando Márcio estranhou o alto valor da taxa, o corretor argumentou que quem realmente tivesse condições de morar naquele empreendimento não se importaria com isso. Mas Márcio incomodou-se. Considerando que em dezembro as taxas de condomínio chegam a dobrar por causa do décimo terceiro salário dos funcionários, o proprietário desse apartamento deverá pagar cerca de R$ 26.000,00 por ano com essa despesa. Isso significa que o infeliz proprietário consumirá 5,8% ao ano do valor do imóvel com as despesas de condomínio. Supondo que o valor do apartamento deve ser depreciado ao longo do
tempo e que as taxas dificilmente diminuem, Márcio estimou que, em menos de 15 anos, o proprietário desse apartamento pagará o equivalente ao valor de mais um apartamento para o condomínio.
Não se esqueça de verificar se há taxas de condomínio em atraso. O comprador passará a ser responsável pelas dívidas.

Imóveis industriais
Recente trabalho da Yale School of Management5 apontou que os imóveis industriais têm superado a rentabilidade das propriedades para comércio e para escritórios nos países desenvolvidos. A pesquisa também mostra claramente que investir em imóveis, em geral, é fazer uma aposta no crescimento do país.

Imóvel para residência ou para investir?
O imóvel para você morar com a família não é necessariamente aquele para você ganhar dinheiro. Em geral, é preferível pagar o preço justo, praticado pelo mercado, por um bem que atenda perfeitamente às necessidades de sua família. Reserve sua habilidade de garimpar oportunidades, procurar uma “galinha morta”, para aqueles imóveis que você deseja adquirir apenas como investimento.
C A S O:
José, antigo investidor no mercado imobiliário de São Paulo, utiliza uma interessante estratégia: comprar imóveis comerciais pequenos, se possível em esquinas bem movimentadas; ou comprar sobrados de esquina e retalhá-los em pequenas lojas e escritórios. Sempre em bairros com vizinhança já definida, em ruas de muito movimento, se possível, onde passem ônibus. Creio que tais preocupações oferecem uma substancial redução no risco dos investimentos e um bom nível de liquidez, através de aluguéis e de imóveis de baixo valor agregado.
D I C A S:
Evite comprar residências sofisticadas, com o objetivo de alugar. Há grandes alterações nas exigências do mercado consumidor sobre esse tipo de imóvel, ao longo do tempo. Os preços são muito influenciados por tendências e modas. O que se torna ruim para quem compra e pior para quem tem
que vender depois.
Como investimento, é preferível ter três pequenos imóveis do que um grande.
A diversificação é uma prática bastante saudável. Além disso, propriedades menores costumam ter mais liquidez, são mais fáceis de alugar, obtêm um rendimento percentualmente superior na locação e serão mais úteis na eventualidade de um aperto em suas finanças pessoais.

Não se apaixone pelo imóvel. Procure enxergar todos os defeitos do produto.
Nada é perfeito. Procure antever as dificuldades que terá de enfrentar quando você for vender o bem que está pretentendo adquirir agora. Se comprar um imóvel dá trabalho, lembre-se de que vender é muito mais difícil.
Tenha muita calma. Pior do que perder a chance de comprar um bom imóvel é comprar um com problemas. Considere que quando você for vendê-lo, os potenciais compradores serão ainda mais rigorosos com você.

Você já deve ter ouvido falar muito de pessoas que investiram em regiões desertas que, de repente, tornaram-se populosas. Essas pessoas enriqueceram em poucos anos. Entretanto, procure lembrar-se de parentes e amigos que também compraram terrenos ou casas em regiões distantes que, até hoje, continuam desvalorizadas. Apostas em regiões novas podem oferecer valorizações muito elevadas, porém trazem riscos também altos.

Pague uma consulta a um perito
Sugiro que você consulte um experiente construtor ou um engenheiro civil para examinar o imóvel que pretende adquirir. Sistemas elétricos, hidráulicos, fundações, estruturas, eventuais rachaduras, tudo deve ser inspecionado. Embora não seja muito usual, os benefícios dessa consulta podem ser muito grandes, minimizando os riscos de surpresas desagradáveis.

Construir a própria casa
Construir uma casa pode ser uma interessante alternativa. Primeiro você compra o terreno, faz o projeto e, a seguir, executa a obra de acordo com seu fluxo de caixa.
Excelente opção para obter a casa própria! Mas tenha ciência de que isso irá consumir muito de suas horas de lazer. Prepare-se para enfrentar problemas na escolha de profissionais da construção civil. Muitos ainda não estão acostumados com padrões de qualidade elevados.
Outra importante recomendação: construa uma casa que agrade à maioria. Algumas pessoas resolvem colocar em prática suas habilidades artísticas e acabam construindo casas com gosto duvidoso. Isso criará dificuldades na hora de vender. É preferível não fugir do padrão estético da vizinhança, construindo casas sóbrias e com divisões no padrão das demais casas do bairro.
Existe um outro risco. Se você não conseguir terminar a obra, estará com um “abacaxi” nas mãos. Seja muito cauteloso ao estimar suas disponibilidades financeiras para a construção.

Custos de transação elevados
Corretagem, escritura, registro em cartório e Imposto de Transmissão elevam o custo de compra ou de venda de um imóvel. Por isso, considere-o, apenas, como um investimento de longo prazo.

“Pagar aluguel é jogar dinheiro fora?”
Nem sempre. Se você for residir poucos anos no imóvel ou se você ainda é solteiro e não sabe qual será o perfil de sua futura família, não tenha medo de pagar aluguel.
Mas alugue um imóvel compacto, sem luxos. Hoje, diante da recessão no mercado imobiliário, o aluguel de um apartamento seminovo chega a 0,6% ao mês do valor do imóvel. É uma taxa menor que os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos imobiliários. Além disso, você estaria deixando de gastar com corretagem, despesas de escritura e não teria que enfrentar a depreciação natural do imóvel. Lembre-se ainda de que alugar e desistir de uma locação é incomparavelmente mais simples do que comprar e depois vender um imóvel.
D I C A S:
Procure comprar uma residência que lhe seja útil por longo tempo. É preferível adiar a compra, juntar mais um pouco de dinheiro e comprar um imóvel maior, mais adequado às suas futuras necessidades.
Se você deseja fazer uma carteira de imóveis para o futuro, procure comprar propriedades bem localizadas, que proporcionem bons aluguéis. Os imóveis comerciais pequenos são os mais recomendados para locação. Consulte um contador sobre as vantagens de abrir uma empresa para administrar seus imóveis próprios. Há vantagens tributárias nessa estratégia.
Em geral, a melhor compra é aquela que se faz à vista. Quando o comprador entra na negociação necessitando de um financiamento, diminui muito seu poder de barganha. O ideal é ter o dinheiro todo para pagar à vista, com um bom desconto. Não tenha pressa. Não se iluda com a pressão do vendedor.
Espere mais um pouco e junte mais dinheiro. Você certamente fará melhor negócio.
Seja muito exigente na hora de comprar, porque o futuro comprador de seu imóvel também o será.
Não compre um imóvel apenas para exibir a seus amigos e familiares como um troféu.
As antigas vantagens do Sistema Financeiro da Habitação, com juros subsidiados, prestações subindo de acordo com os aumentos salariais, perdão do saldo devedor, etc. praticamente já acabaram. Durante os anos 60 e 70, esse foi um enorme subsídio pago pela população brasileira para os mutuários do SFH que
deixou um grande rombo nas contas públicas. Esse tempo já passou.
Se seu filho mais novo já tem quinze anos, pense duas vezes antes de adquir uma residência muito grande. Provavelmente ele só irá morar com você por mais uns dez anos. É muito comum ver famílias adquirindo residências grandes, às vésperas de seus filhos saírem de casa. Ao final, o casal fica sozinho,
vivendo em uma casa grande e vazia. Econômica e psicologicamente, isso não faz sentido.
“Se os aluguéis estão baixos, posso deixar o imóvel desocupado, que ele se valoriza sozinho…”
Não concordo. Ao fim de alguns anos, pode-se adquirir um outro imóvel idêntico somente com o dinheiro do aluguel. Além disso, o inquilino pagará as despesas com o condomínio e com o IPTU. Acompanhe de perto a seleção dos inquilinos. É preferível oferecer descontos para candidatos com excelente reputação.
Investimento sem apoio de metodologias científicas Infelizmente, existem poucos livros ou pesquisas acadêmicas no Brasil sobre investimentos imobiliários. Assim, torna-se muito difícil aprender a investir corretamente nesse mercado. Os compradores e os vendedores de imóveis limitam-se a conhecer o que
seus pais, amigos ou corretores lhes ensinaram, sem qualquer metodologia científica.
É muito difícil encontrar estatísticas confiáveis sobre o comportamento dos preços no mercado, o que torna ainda mais complexa a arte de se avaliar o preço justo de um imóvel.
Creio que, no longo prazo, muitos investimentos imobiliários podem revelar-se superiores ao investimento em renda fixa. Contudo, eles implicam riscos, conforme mencionamos. Para ser vitorioso no ramo é necessária muita dedicação.
Vantagens do investimento em imóvel “Dinheiro na mão é vendaval”, já cantava Paulinho da Viola. O imóvel impõe excelente disciplina de poupar ao investidor.
É tangível, isto é, pode ser visto e tocado.
Boa proteção contra a inflação no longo prazo.
“Viver no que é seu” é algo que dá muito prazer.
Comprar um bom imóvel proporciona uma sensação de vitória.
Os aluguéis podem oferecer um bom complemento na aposentadoria.
Reinvestir os aluguéis recebidos impulsiona novas aquisições e torna-se uma alternativa às aplicações de renda fixa.
Vale a pena investir em imóveis?
Definitivamente, não sou contra investimentos imobiliários. Creio que todas as famílias devem procurar adquirir a casa própria. Entretanto, investir em imóveis adicionais pode não ser o mais adequado a todos.
Considero que a maior virtude do imóvel seja a capacidade de impor disciplina ao investidor. Um jovem casal sonha em livrar-se do aluguel. Inicia-se um processo de redução nos gastos desnecessários. A poupança passa a ser um sacrifício suportável. O sonho da casa própria proporciona um enorme prazer, recompensando o sacrifício de poupar! Além disso, os imóveis são tangíveis, isto é, nós podemos tocá-los e eles nos dão uma confortável sensação de segurança.
Herdamos uma convicção de nossos antepassados de que investimentos imobiliários ofereceriam alto retorno e baixo risco. Discordo. Cabe-me alertar o leitor para não ser enganado pela lenda de que é impossível perder dinheiro com imóveis. Ao contrário, é muito mais fácil perder do que ganhar, como em tudo na vida. Só que nesse tipo de mercado, as pessoas costumam apregoar alto suas vitórias e esconder suas derrotas.
Tenha muito cuidado!

Os Axiomas de Zurique – Max Gunther

Maio 18, 2008 às 3:11 pm | Na categoria Resenhas literárias | 7 Comentários

RESENHA:

Os Axiomas de Zurique é um livro escrito por Max Gunther.

Através de doze axiomas principais e dezesseis secundários, o livro ensina como os suíços se tornaram os maiores e melhores banqueiros e financistas do mundo.
Um dos livros mais comentados no mercado é o Axiomas de Zurique, de Max Gunther.

O livro é constituído de 12 axiomas, que pretendem dar resposta às dúvidas com as quais o investidor (ou especulador, como prefere o autor do livro) pode se deparar. O título refere-se às táticas usadas pelos banqueiros suíços para obter êxito no mundo dos negócios.

Axioma tem dois significados

O filosófico, que define o termo como a premissa imediatamente evidente que se admite como verdadeira sem exigência de demonstração, e o lógico, que define axioma como a proposição que se toma como verdadeira porque dela se podem deduzir as proposições de uma teoria ou de um sistema lógico ou matemático.

Assim funcionam as indicações do livro, como dogmas que devem ser seguidos à risca por quem pretende acumular rentabilidade.

Para o investidor Patrick Blackman, o livro “Axiomas de Zurique” serve como um batismo dos que começam a operar em bolsa. “Sempre que surge um iniciante, todos são unânimes em recomendar a leitura dos axiomas”, afirma.

A recomendação não é a toa. “No meu caso, aprendi a utilizá-los da forma mais dolorosa, sobretudo o axioma da Esperança. Perdi quase 60% do valor de uma operação porque tinha a esperança de que o papel ia voltar ao preço que tinha pago. Até que resolvi realizar, mas aí já era tarde”, explica Blackman. Desde então, o investidor tem utilizado a regra de forma quase religiosa. “Não tenho mais pena de saltar de uma operação quando percebo que o barco está fazendo água”.

Este axioma prega que “quando o barco começa a afundar, não reze. Abandone-o”. Patrick Blackman não é o único a adotar a regra como filosofia na hora de decidir se vale a pena ou não sair de uma aplicação.

O economista Stênio Campos também utiliza a máxima. “Por várias vezes utilizei o axioma da esperança. Não adianta remar contra a maré ou tentar se enganar acreditando que as coisas melhorarão. Isto é ainda mais verdadeiro quando falamos em opções”, reconhece.

Para o analista da consultoria Lopes Filho e Associados, Gustavo Freitas, o livro oferece boas dicas para o investidor de perfil bastante arrojado. “Quando o autor recomenda, por exemplo, que o investidor fuja da diversificação, a aposta é de que o investidor tenha feito um estudo sobre o ativo em questão, que indica forte possibilidade de alta. Nem todo mundo deve deixar de lado a idéia de apostar em diferentes ações para minimizar o risco”, defende.

No entanto, o analista ressalta como pontos positivos do livro a disciplina e a delineação de metas para cada investidor. “Se você acredita que a possibilidade de alta é de 20%, esta é a sua base, o limite ao qual os preços podem ir. Ao chegar lá, é hora de realizar o lucro”, diz.

Considerado uma boa fonte de consulta, o livro é contra-indicado para quem sofre de aversão a riscos altos. Nem por isso, o conservador está condenado a uma existência de penúria.

Gustavo Freitas lembra que em 2003, os conservadores não tiveram do que reclamar. “Estes investidores ganharam muito com dividendos de ações mais tradicionais”, afirma.

Para o investidor que não tem medo dos cabelos brancos, da preocupação e das oscilações da bolsa, vale conferir o resumo dos axiomas abaixo.

PRIMEIRO GRANDE AXIOMA: DO RISCO
Preocupação não é doença, mas sinal de saúde. Se você não está preocupado, não está arriscando o bastante.

Primeiro Axioma menor: Só aposte o que valer a pena.

Segundo Axioma menor: Resista à tentação das diversificações.

Conclusão: Não tenha medo de arriscar um pouco. Alto risco significa alto retorno.

SEGUNDO GRANDE AXIOMA: DA GANÂNCIA
Realize o lucro sempre cedo demais.

Terceiro axioma menor: Entre no negócio sabendo quanto quer ganhar. Quando chegar lá, caia fora.

Conclusão: Não teste a sua sorte. Estabeleça uma meta e, ao atingi-la, realize seus lucros.

TERCEIRO GRANDE AXIOMA: DA ESPERANÇA
Quando o barco começar a afundar, não reze. Abandone-o.

Quarto axioma menor: Aceite as pequenas perdas com um sorriso, como fatos da vida. Conte incorrer em várias, enquanto espera um grande ganho.

Conclusão: Se suas especulações andam mal, saia e parta para outra. Saber perder é uma das virtudes de um bom especulador.

QUARTO GRANDE AXIOMA: DAS PREVISÕES
O comportamento do ser humano não é previsível. Desconfie de quem afirmar que conhece uma nesga que seja do futuro.

Conclusão: Não baseie suas especulações em previsões e sim no que você vê acontecendo à sua frente.

QUINTO GRANDE AXIOMA: DOS PADRÕES
Até começar a aparecer ordem, o caos não é perigoso.

Quinto axioma menor: Cuidado com a armadilha do historiador.

Sexto axioma menor: Cuidado com a ilusão do grafista.

Sétimo axioma menor: Cuidado com a ilusão de correlação e a ilusão de causalidade.

Oitavo axioma menor: Cuidado com a falácia do jogador.

Conclusão: Não se deixe levar pela ilusão de ordem. Não existe um fórmula exata que vá lhe proporcionar sempre ganhos.

SEXTO GRANDE AXIOMA: DA MOBILIDADE
Evite lançar raízes. Elas tolhem seus movimentos.

Nono axioma menor: Numa operação que não deu certo, não se deixe apanhar por sentimentos como lealdade ou saudade.

Décimo axioma menor: Jamais hesite em sair de um negócio se algo mais atraente aparecer à sua frente.

Conclusão: Não se deixe prender a sentimentos em suas especulações. Se perceber uma oportunidade melhor, corte suas raízes e siga em frente.

SÉTIMO GRANDE AXIOMA: DA INTUIÇÃO
Só se pode confiar num palpite que possa ser explicado.

Décimo primeiro axioma menor: Jamais confunda palpite com esperança.

Conclusão: Só confie em um palpite se você for capaz de identificar algo que consiga explicá-lo.

OITAVO GRANDE AXIOMA: DA RELIGIÃO E DO OCULTISMO
É improvável que entre os desígnios de Deus para o Universo se inclua o de fazer você ficar rico.

Décimo segundo axioma menor: Se a astrologia funcionasse, todos os astrólogos seriam ricos.

Décimo terceiro axioma menor: Não é necessário exorcizar uma superstição. Podemos curti-la, desde que ela conheça o seu lugar.

Conclusão: Mantenha o sobrenatural longe de suas especulações. Confie em você e no seu potencial.

NONO GRANDE AXIOMA: DO OTIMISMO E DO PESSIMISMO
Otimismo significa esperar o melhor, mas confiança significa saber como se lidará com o pior. Jamais faça uma jogada por otimismo apenas.

Conclusão: Um bom especulador possui confiança, não otimismo. A confiança nasce do uso construtivo do pessimismo.

DÉCIMO GRANDE AXIOMA: DO CONSENSO
Fuja da opinião da maioria. Provavelmente está errada.

Décimo quarto axioma menor: Jamais embarque nas especulações da moda. Com freqüência, a melhor hora de se comprar alguma coisa é quando ninguém a quer.

Conclusão: Antes de arriscar seu dinheiro seguindo a opinião da maioria, pondere e avalie por si mesmo se a decisão é acertada ou não.

DÉCIMO PRIMEIRO GRANDE AXIOMA: DA TEIMOSIA
Se não deu certo da primeira vez, esqueça.

Décimo quinto axioma menor: Jamais tente salvar um mau investimento fazendo “preço médio”.

Conclusão: Se sua especulação não está dando o retorno desejado, não seja teimoso, desista. Outras boas oportunidades podem estar a sua volta sem ser notadas.

DÉCIMO SEGUNDO GRANDE AXIOMA: DO PLANEJAMENTO

Planejamentos a longo prazo geram a perigosa crença de que o futuro está sob controle. É importante jamais levar muito a sério os seus planos a longo prazo, nem os de quem quer que seja.

Décimo sexto axioma menor: Fuja de investimentos de longo prazo.

Conclusão: Não planeje investimentos a longo prazo. O mundo dos negócios se modifica a cada dia. O único plano a longo prazo que um especulador precisa ter é o de ficar rico.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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