As incertezas da economia pós-Lula
Outubro 27, 2010 ás 9:08 pm | Na categoria Uncategorized | Publicar um comentárioEtiquetas: reconomia, segundo turno, sucessão presidencial
Numa disputa de segundo turno muito aquém no debate econômico, nenhum dos dois candidatos tem colocado com clareza suficiente como pretende agir frente aos desafios que virão a partir de janeiro de 2011
Garantir que o investimento cresça para sustentar o crescimento e que inevitáveis déficits externos tenham um tamanho e um padrão de financiamento que não desequilibrem o País.
Assim pode ser resumido um dos maiores desafios econômicos do próximo governo, supondo que nenhuma aventura radical será tentada para mudar o atual modelo.
Como o Brasil tem baixa poupança nacional, sempre que o consumo e o investimento crescem com força, como agora, o País tem de recorrer à poupança externa, o que se traduz em déficits crescentes na conta corrente.
Numa campanha eleitoral pobre no debate econômico, nenhum dos dois candidatos tem colocado com toda a clareza como vai agir frente a esse desafio.
Do tucano José Serra, o mercado acostumou-se a esperar austeridade fiscal, o que ajudaria bastante, aumentando a poupança do governo. Mas as caras promessas eleitorais de Serra em termos de salário mínimo, aposentadoria e Bolsa-Família colocaram um ponto de interrogação naquela crença.
No caso de Dilma Rousseff (PT), supondo-se uma continuidade do que vem sendo feito no governo Lula, a aposta parece ser numa combinação de alguma moderação nos gastos, fé na queda da taxa de juro real e política industrial para ajudar setores estratégicos prejudicados pelo câmbio valorizado.
Samuel Pessôa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), convicto de que o Brasil terá de conviver por muitos anos com a dependência de poupança externa, considera vital que o novo governo desestimule o endividamento externo do setor privado sem proteção contra perdas cambiais (hedge).
Outro caminho que o Brasil poderia trilhar, segundo Pessôa, para dar mais segurança à sua dependência estrutural de poupança externa, é partir para uma integração financeira bem maior com o resto do mundo.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, estrela em ascensão nos quadros técnicos da gestão petista, confia na capacidade do País de ampliar o investimento dos atuais 19% do PIB para 22% ou mais, mantendo o equilíbrio macroeconômico.
Barbosa cita dois fatores que, para ele, vão expandir a poupança doméstica, hoje de 17% do PIB: a poupança das empresas e a queda da taxa de juros real.
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